quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Campanha: Este Blog É Contra o Bullying!

Pessoal, estou fora do ar já há algumas semanas por falta de tempo, mas sempre passo aqui para ver como vocês estão e matar a saudade. Atividades extras me deixaram sem tempo para postar, mas tenho alguns rascunhos que estão só esperando o toque final.
E para dizer que não estou de olho em vocês, mesmo não deixando comentários, entrei hoje e estou passando para frente essa campanha que recebi indicação.




1- Explicar o que é bullying
Teoricamente existe uma explicação.
Eis em minhas palavras:
Bullying é ato de rebaixar um companheiro humilhando com brincadeirinhas, ofensas, frieza, apelidos ou comparaçõe em referência na maioria das vezes à particularidade própria da pessoa. Em alguns casos até com ameaças.
Não há um motivo justo para tal ato, quem sabe para o atacante se mostrar poderoso ou simplesmente por não gostar do jeito da vítima.

A vítima, normalmente uma pessoa tímida, se retrai, sentindo rejeição, medo, falta de confiança em si, descrença até mesmo na vida.

O problema de quem sofre com o bullying é que não conta para alguém. Sofre sozinho no seu mundo, sem achar saída para seus medos. E, como com qualquer problema, quanto mais se pensa, mais aumenta os sentimentos negativos, chegando a sair um pouco da realidade.
Essa semana mesmo no jornal japones apareceu um caso em que a vitima se suicidou, oque acontece frequentemente aqui, e deixou uma carta contando tudo até citando nomes.

2. Contar se você já passou por isso ou não. Se sim (e você estiver a vontade) conte sua historia. Caso contrário expresse sua opinião sobre o assunto

Caso 1
Lembro de minha infancia na fase escolar primária em que me chamavam de japonesa. Por eu ser descendente, tenho características de oriental. Não é nada ofensivo, mas não achava certo. Eu dizia: nasci no Brasil, então sou brasileira! brava. rs. Mas odiava que me chamassem assim. Ficava remoendo o ódio que sentia.
Sem contar inumeras piadinhas que ouvia, principalmente que comia coisas bizarras, como cobra.(Hoje imagino que isso se deva ao unagi )
A hora do recreio vira  e mexe aparecia alguém cantando alguma musiquinha ironica ou falando esses tipos de coisas de japones.

Sorte que eu tinha amiguinhas, e mesmo com raiva danada desses moleques, depois saia para brincar e aproveitar o recreio.

Caso 2
Meu filho entrou na fase da pré-adolescência.
Difícil transição, pois eu mesma ainda o considero criança, me pegando de surpresa quando ele vem com assuntos de 'gente grande'.Ele é "mestiço" (como dizem no Brasil), pois meu marido é loiro de olhos verdes, e eu, descendente de japoneses. Sem contar sua altura, puxou o pai. Por aí dá para imaginar como meus filhos são.
Ultimamente ele tem se sentido diferente, mesmo falando só a língua japonesa, sabe que suas características físicas revelam sua ascendencia.
Passou por uma fase difícil por seus coleguinhas o isolarem ou o ignorarem, sem saber onde era o seu lugar.
Com isso vieram dores de cabeça sem motivo aparente (doença) somado a faltas na escola. Perdeu a vontade de ir para a escola totalmente. Depois de um tempo ele se abriu e descobrimos oque ele estava passando.
A escola preocupou-se com as faltas, e a professora ligava todos os dias, vinha em casa, conversava com ele. Depois dele desabafar com o pai, ficou mais facil para ele falar para a professora. E com isso se sentiu mais confortado (não totalmente pois a fase ainda não terminou ), e estamos sempre de olho nele.
Mesmo falando para ele que ele está um rapaz bonito, ele não se acha. A professora diz que os outros meninos tem inveja, porisso fazem o que fazem.
Para os orientadores da escola, isso pode ser um reconhecimento de IDENTIDADE, pois não está conseguindo assimilar  "brasileiro com coração japones".
Para mim, essa é a fase de identificação, independente de nacionalidade, onde ele terá que descobrir o próprio valor, a fase de estar entre ser criança e adulto, típico da adolescencia.

3. Divulgar o link do blog que deu início a circulação do selo
      Quem deu início:      Blog Efeito Menina
     Quem me indicou: :  Blog JUST A RIDE


4-Indicar mais 6 blogs que você acha que vão aderir a esta campanha.
Pediria para que todos dessem sua colaboração, independente de seguir essa campanha ou não, pois toda forma de alerta é bem vinda. Mas indico aqui quem acho que poderá aderir.


1- Tequila com bobagem
2- Tucano in City
3- Compartilhando idéias com uma mulher de 30 e pouco...
4- Casa da Satie
5- Chá das Cinco
6- Lost in Japan


Minhas palavras

* A pessoa que sofre Bullying nem sempre é criança. Um adulto também pode estar sofrendo com isso.
*   Dentro de casa também pode estar acontecendo.
*   Procure sempre observar o comportamento da criança. Dor de cabeça, dor de barriga sem diagnóstico preciso, é um grande sinal.
*   Muito cuidado ao denominar o bullying! Não é o caso de uma diferença de opiniões que a criança está sofrendo com o bullying.
E mais: os  pais devem conhecer os próprios filhos. Fico abismada com pais que acham que seus filhos são uns anjos, quando a verdade não é bem assim. Quando meus filhos vêm para contar oque um amiguinho aprontou com ele, primeiro pergunto oque foi que ele fez antes, para saber se não houve mal-entendido.
Aqui no Japão há muitos casos que chegam ao suicídio por isso. E também muitos casos em que os brasileiros que tem filhos estudando em escolas japonesas acham que seus filhos estão sofrendo o IJIME, mas mal tem tempo de dar atenção dentro de casa para eles, nem frequentam as reuniões periódicas da escola, quando, no fundo, eles estão apenas em fase de adaptação.
Esses pais agora podem ver que no Brasil também há o Bullying, que não é coisa só do Japão.

Todos nós passamos por experiencias que nos fizeram a pessoa que somos hoje. Alguns traumas nos fazem cuidar dos filhos para que não sofram oque sofremos. Mas se eles não passarem por certas experiencias, não conseguirão se dar bem na fase seguinte. Não é passando a mão na cabeça deles que eles serão grandes, pois lá fora, quando eles estiverem enfrentando o mundo, nem sempre haverá os pais por perto. Porisso, melhor que fazemos é prepará-los para enfrentar o mundo socialmente!

PS.: Seu filho pode não estar sofrendo mas pode ser o que está fazendo. Preste atenção nesse lado também!
A Campanha está aberta para todos que queiram participar!

Bjos

4 comentários:

  1. aqui no Japão há mto bullying. Mas no Brasil tb sempre houve, eu tb sofri muito por causa da origem japa, mesmo sendo mestiço. A diferença é que aqui o assunto é mais escancarado, lá fica velado no ar. E explode em momentos (que nem o recente bullying contra nordestinos na internet) mas logo o assunto morre.

    coisa triste essa coisa do preconceito, da discriminação. o ser humano cria artifícios para sentir-se menos lixo, nem que para isso tenha que pisar em cima do próximo.

    ótimo assunto!
    bjs

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  2. Eli,
    adorei a maneira com a qual você falou do assunto!
    Meu marido também conta a mesma situação que vc passou na infância! Lá vcs eram japas, aqui gaijin... Como entender? E o que seu filho vive agora é a realidade de muitos aqui, tenho certeza que juntos vocês passarão por esse obstáculo!
    E como você disse, essas coisas nos fortalecem e nos preparam para o que ainda pode vir pela frente!
    #diasmelhoresprasempre!
    Beijokas!
    ^^

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  3. Olá Eli , gostei muito que você voltou as postagens, ainda mais falando sobre um tema tão complicado que é o "bullying". Imagino o que seu filho tenha passado na escola, sei o que é isso, minha mulher é professora aqui e sempre me conta algumas histórias assim. Como disse lá no blog da Pri , Triste ! Mas nós pais devemos sempre estar atentos aos nosso filhos, que nem sempre tem a segurança de se abrir com a gente.

    Abraços ! e não some não daqui rs

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  4. Oi Eli, muito obrigada por indicar esta campanha para mim também. Como sempre tão atenciosa...

    Este é um assunto muito sério e, infelizmente, acontece muito.
    Ótimo seu texto.
    Parabéns

    Bjs

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