domingo, 27 de junho de 2010

Há 20 anos atrás.


Quando cheguei no Japão há 20 anos atrás, deparei com um problema já esperado: não havia onde deixar minha filha de 4 anos para que eu pudesse trabalhar.
Na época, oque acontecia era que os brasileiros que vinham para cá, não podiam trazer filhos. Mas a decisão de traze-la foram duas: não separar a minha pequena família e não dar trabalho para minha mãe, que seria a mais provável hipótese da pessoa que cuidaria dela. Por sorte consegui traze-la pois não viemos através de agencias, e sim a ajuda de um irmão que já estava aqui.
Não foi fácil conseguir uma creche. Não estavam acostumados a receber estrangeiros, e tinham receio de não conseguirem cuidar dela por não falar o japones.
Até que um dia, na estação de trem de Takasaki-shi, um casal com uma pequena garotinha me chama a atenção, e iniciando uma conversa, uma surpresa ao saber que moravam perto de casa e a criança estava frequentando uma creche. Peguei os dados e corri no dia seguinte para colher mais informações, até que consegui matricular minha filha.
Na época mal falava japones, mas isso não foi impecilho para que ao menos tentasse saber oque minha filha aprendia nessa creche.
E vi, surpreendentemente, como ela aprendeu rápido o idioma e se adaptou à nova vida.
Levava-a de bicicleta no sol e na chuva, no verão e no inverno, pois era o unico meio de locomoção na época.
Com o tempo, conheci mais pais e vi também o aparecimento de creches brasileiras (no fundo, uma pessoa que cuidava de crianças dentro do seu próprio apartamento, dava refeição e banho, e ficava até tarde com a criança), mas mesmo assim, não me cativou a tirá-la da creche japonesa para que eu pudesse fazer horas-extras.
E assim, minha filha seguiu o caminho normal da escola japonesa, e eu tendo que aprender junto, pois o sistema difere da escola brasileira.
Com o aumento de brasileiros que vinham com família, apareceram também as escolas brasileiras. Além do método de ensino diferenciado de cada entidade, apareceu a preocupação da comunidade de que a escola também fosse reconhecida pelo MEC, pois nada adiantaria estudar e pagar um preço alto pela mensalidade se, ao retornar ao Brasil e prosseguir os estudos, o histórico não tivesse validade.
No meu caso, continuei optando pela escola japonesa. Ela seguiu ate o colegial.
Houve um tempo em que duvidei dessa minha opção.
SE eu tivesse trocado pelas entidades brasileiras, poderia ter tido mais oportunidade de fazer horas-extras, consequentemente, ganhar mais.
Porém, SE eu tivesse feito isso, hoje teria tido algumas experiencias desagradáveis com ela adolescente (período difícil).
Entre uns e outros, reclamações de pais em relação aos cuidados com os filhos e professores em relação a pais desligados e exigentes.
Hoje, com mais dois filhos, continuo nessa mesma linha. Na época que cheguei, nossos planos eram de ficar somente 3 anos. E ainda continuamos aqui!
Pelo menos, eles estão adaptados aos costumes japoneses, falam e escrevem, e não terão dificuldades em se comunicar quando for necessário.
A única dificuldade é dentro de casa...as vezes é difícil conversar e faze-los entender...rs.Mas isso vamos levando. Uma boa desculpa para que eles também aprendam o portugues!
Cada um pensa e age da forma que melhor convir. Essa foi a nossa opção.
E você?

2 comentários:

  1. Olá Eli!

    Eu tbm vim pra cá com a certeza de que voltaria em três anos... quantas histórias que se repetem, não?!
    Parabéns a você pela luta e por não ter desistido.
    Seus filhos são felizardos por ter uma mãe como você!

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  2. Sivia, todos temos um ponto em comum, não é mesmo? Uma pena que poucos tenham aproveitado a oportunidade de aprender, ao invés de ficar só tentando colocar na cabeça dos donos da casa uma cultura tão diferente.
    Obrigada pelo coment e pela força! Boa sorte para você também!

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